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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Plantio da Maconha

Da plantação ao consumidor
As drogas produzidas aqui no Brasil ou importadas de fora são compradas por grandes traficantes e revendidas aos chamados microtraficantes (os pequenos que compram quantidades pequenas) que as revendem para os consumidores. Muitos destes grandes traficantes estão dentro das cadeias e as drogas que compram são revendidas aos pequenos traficantes dentro das prisões e também nas ruas. O homem que faz a ponte, ou seja, é o intermediário entre os produtores e os grandes traficantes é chamado de matuto. Nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o tráfico montou uma espécie de governo paralelo. Nas favelas e morros são os “donos-do-morro”, os “donos-das-bocas” que ditam as leis. Os donos do morro é que decidem onde serão as bocas-de-fumo e quem serão os representantes, que são os microtraficantes que finalmente vão revender a maconha ou a cocaína para o consumidor final que podem ser jovens pobres da própria favela e morro ou, na maioria das vezes, os filhos da classe média e alta, principais financiadores do esquema do tráfico.

No Rio de Janeiro são quase mil favelas onde moram mais de 1,5 milhão de pessoas, muitas delas recrutadas pelo tráfico. Os comandos criminosos cariocas empregam pelo menos 10 mil jovens de 10 a 16 anos que são os “soldados” ou vapores, fogueteiros, aviões.... Sem oportunidade de emprego, sem perspectiva de uma vida melhor, os jovens vêem no tráfico uma possibilidade de “vencer” na vida. Espelham-se na fama dos chefões do tráfico, que circulam com carrões, sempre rodeados de mulheres bonitas e com seguranças armados. A eles, além de um “bom salário”, o tráfico oferece lazer e entretenimento, como os bailes funks onde a cocaína é livremente vendida a preço baixo, num território dominado pelos bandidos, onde muito raramente entra a polícia e o poder do estado é ausente. O “movimento”, como se referem os moradores ao tráfico de drogas, também aparece fazendo quadras de futebol e patrocinando festas juninas e natalinas, com distribuição de presentes para as crianças. Durante o ano, há ajuda às famílias até com a compra de remédios. Cerca de 50 grandes grupos controlam todo o tráfico no Rio.

Entre os trabalhadores do tráfico tem o “químico”, que é contratado pelo grande traficante, o “dono-do-morro”. O químico é o responsável por “batizar” a droga, ou seja, pelos ingredientes que vão ser misturados na droga. A cocaína, por exemplo, é comprada “pura” pelos grandes traficantes e para que ela “renda” mais, aumente de volume, o químico faz a mistura que pode ser, por exemplo, com bicarbonato. Um quilo da droga pura vira dois quilos depois da mistura e o lucro, é claro, é maior.

Há jovens que são contratados como “fogueteiros” que ficam em pontos estratégicos, munidos de fogos de artifício que são soltados em duas ocasiões: para avisar que as drogas chegaram e estão a disposição e principalmente, para avisar que a polícia está chegando.

No topo da hierarquia do tráfico está o “dono-da-boca”, traficante que compra as grandes quantidades. Abaixo dele os “gerentes”, que repassam a droga para os “aviões” que levam, transportam a droga até as bocas-de-fumo”. Os gerentes também tem a função de arrecadar semanalmente o dinheiro do tráfico nas bocas de fumo e prestar contas ao chefão, ao dono-do-morro.

O dono-da-boca contrata os "soldados” ou “vapores” que são os que revendem a droga aos consumidores, aos clientes, que podem estar no morro ou nas avenidas, próximas as favelas e morros.

Há também os “esticas” que são os encarregados de vender as drogas em faculdades, boates, bares, prédios e condomínios. O trabalho acontece 24 horas. São 2 turnos de 12 horas e os “trabalhadores” se revezam.

Em algumas favelas existe ainda o “drive-thru”. Os traficantes ficam em um ponto fixo e os compradores, de carro, passam, pagam e recebem a droga. Em São Paulo e no Rio também tem o serviço “delivery”. O cliente liga para um determinado número e em pouco tempo um motoqueiro chega com a “encomenda” que pode ser entregue em casa, num shopping, num bar.. Os traficantes chegaram a sofisticação de “personalizar” as drogas, fazendo embalagens diferentes, em cores diferentes, para cada boca-de-fumo. De forma que, se o cliente tiver alguma reclamação o vendedor do ponto será identificado e responsável pela queixa.

As drogas e a internet

Mundo moderno, traficantes modernos. E a internet entrou em ação. Com um “click” é possível negociar vários tipos de drogas: maconha, cocaína, esctasy. Jovens mantém conversas sobre novos entorpecentes, remédios que têm poderes alucinógenos. Marcam festas raves e abertamente publicam que nos três dias de festa vai rolar de tudo.

Só no Orkut são 7,5 milhões de usuários, 74% deles no Brasil, e a maioria com menos de 25 anos. Rapidamente os traficantes enxergaram esta “fatia” à disposição e começaram a negociar drogas pela internet, seja por e-mail ou em conversas on-line. Chegam a fazer “leilões virtuais”, vendendo a droga para quem pagar mais.
Mulas

É freqüente, nos aeroportos brasileiros, especialmente nos do Rio de Janeiro e São Paulo, a policia prende pessoas que tentam embarcar para a Europa, levando cocaína no estômago, entre outros modos de camuflar a droga. São pessoas que são recrutadas pelos traficantes e que ingerem cápsulas da droga (embrulhadas em plástico para não estourar) e viajam com ela no estômago. Em um dos casos, em 2006, um jovem preso estava com quase um quilo da droga no estômago. Muitos nigerianos que moram no Brasil se prestam a este serviço, mas a quantidade de brasileiros é ainda maior. Recebem pelo trabalho, cerca de US$ 5 mil por viagem mais as passagens aéreas e a estadia (em pousadas e hotéis de quinta categoria) que fica por conta do traficante. Quando chegam lá tomam laxante para “despejar” a droga. Alguns repetem o ritual de engolir drogas e voltam para o Brasil com o estômago recheado de esctasy. Estes rapazes e moças ficam dois ou três dias sem comer nada para que caiba mais droga dentro deles e para que após a ingestão das drogas não misturem alimentos no estômago. Nem água podem beber. São muitos os casos em que as cápsulas de cocaína estouraram e as mulas morreram de overdose em poucos minutos.
Mortes e crimes

Em seu relatório, de 2006, a ONU destaca que grande parte dos 30 mil homicídios registrados anualmente no país estão ligados ao tráfico e consumo de drogas.

Ressalta que os grupos envolvidos no tráfico de drogas têm nível de violência maior do que os dos ligados a outras atividades criminosas, como o jogo do bicho. É como um ditado popular no Brasil: “O tráfico não perdoa, mata”. Mata porque vendeu e não recebeu, mata porque alguém “quebrou” a lei do silêncio, mata porque algum dono-de-boca foi incorreto na hora do acerto de contas.

O Ministério da Justiça do Brasil fez um levantamento que mostra que 60% das chacinas ocorridas no país o motivo foi o tráfico de drogas. Em São Paulo e Rio de Janeiro chega a 80%. Sejam os matadores traficantes que venderam e não receberam; sejam traficantes rivais eliminando-se entre si, sejam policiais ou justiceiros os causadores das mortes, as drogas sempre são o pano de fundo.

Nosso país está também incluído no Relatório da Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes) como um dos países com os maiores índices de violência decorrentes do tráfico e consumo de drogas.

As drogas aumentam também outros tipos de crimes como assaltos, arrombamentos, prostituição, porque muitas vezes, o viciado, sem dinheiro para comprar as drogas, acaba cometendo estes tipos de crime para conseguir o dinheiro.
Há uma economia da maconha que segundo Maia Gomes, do IPEA, agrega mais de 100 milhões de reais à economia regional de um conjunto de 30 municípios sertanejos de Pernambuco apenas. Não há nenhum estudo sobre o quantum dessa produção em termos mais abrangentes. A intensificação da repressão ao cultivo de cannabis nos anos de 1980 na região de Pernambuco e adjacências fazia crescer a produção em regiões centrais do Maranhão, e vice-versa. Na verdade, não há maiores informações sobre o histórico da produção em outras regiões do Brasil e sua intensidade no abastecimento dos mercados locais e regionais. As informações sobre a década de 1990 indicaram um acirramento da repressão à produção em todo o território nacional, em especial no Nordeste.
Isso levou os gerentes do cultivo, em algumas cidades de Pernambuco, como Santa Maria da Boa Vista, por exemplo, a usarem duas estratégias para a cooptação de mão?de?obra. Mantiveram a cooptação por meio do interesse econômico, o que parece ainda ser a via principal; e criaram a estratégia de cooptação violenta, com seqüestros de lavradores – o que parece ter até mesmo sido eliminado, com a inclusão de novas estratégias, como veremos adiante. A essa estratégia violenta correspondeu uma atitude de denúncia por parte das lideranças camponesas da região, em especial aquelas ligadas à histórica conquista do reassentamento de Itaparica. Uma das lideranças que muito se expuseram a essa defesa foi Fulgêncio Manoel da Silva. Por isso, os gerentes do cultivo encomendaram sua eliminação, aos 15 de outubro de 1997, que foi realizada por um rapaz de 17 anos, à época, de alcunha Tiquinho, que o alvejou com três tiros pelas costas, após uma emboscada, que o fez ir atender a um suposto telefonema do Movimento Nacional dos Atingidos por Barragem, do qual era fundador.

Bibliografia

www.encod.org/info/SOBRE-PLANTIO-DE-MACONHA-NO-BRASIL.html - 46k -

pessoas.hsw.uol.com.br/trafico-de-drogas5.htm - 43k

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