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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mulheres vendem droga por prestígio

Consumismo e prestígio na comunidade são os principais motivos que levam mulheres a trilhar o caminho obscuro e sem glamour do tráfico de drogas. A maioria é pobre, negra, jovem, de 18 a 25 anos e vende crack em aglomerados de Belo Horizonte. Esse é o perfil de detentas, condenadas por tráfico, que cumprem pena no Complexo Penitenciário Feminino Estêvão Pinto, no Bairro Horto, na Região Leste da capital.

O estudo foi feito pela coordenadora do curso gestão de segurança prisional do Uni-BH, Sheila Venâncio. Das 212 presas na maior penitenciária feminina do estado, 80 se envolveram com o narcotráfico.

“Elas trabalham no tráfico de drogas não por questão de subsistência e de necessidade, mas por dinheiro para satisfazer desejos de consumo, como passear de táxi e freqüentar salões de beleza e churrascarias. Ser mulher de traficante é algo que oferece status para as mulheres que vivem nos aglomerados e muitas foram atraídas por esses sentimentos”, conta a professora Sheila Venâncio. A dissertação de mestrado “Mulheres envolvidas com o tráfico de drogas em Belo Horizonte”, foi feita de março de 2007 a fevereiro deste ano. Foram entrevistadas 30 detentas, além de pesquisas na Pedreira Prado Lopes, na Região Noroeste.

Armadas

Segundo a professora, cópia do trabalho deve ser enviada à Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais. Além de ser coordenadora do curso de segurança, ela integra o corpo docente do programa de pós-graduação de ciências sociais da PUC Minas. A proposta do seu estudo não foi fazer uma análise quantitativa ou um levantamento estratégico, mas narrar trajetórias de vidas, como define a autora. “As detentas entrevistadas foram julgadas e cumprem pena. Moravam em bairros de periferia, vendiam crack e a maioria delas é negra ou mulata, usa arma e é usuária de maconha. Pude constatar a criminalização da pobreza, já que as traficantes de classe média não estão na prisão”, avalia Sheila.

O público entrevistado pela pesquisadora não é formado por mulheres donas de bocas-de-fumo, mas prestadoras de serviços auxiliares a traficantes, seus patrões. Trabalham em sistema de plantão, usam arma para se defender de outros traficantes, mas contam com escolta de outros homens para entregar droga e atender viciados. Nos depoimentos, elas demonstram entender muito de munição e do manuseio de revólveres.

Vida melhor

Além de traficar, as detentas também são acusadas de roubo, ato que elas não estão dispostas a abandonar. “Percebi que elas estão mais preocupadas em se defender de outros traficantes do que da polícia. Admitem que podem deixar o tráfico de drogas, mas provavelmente vão continuar assaltando. Revelam desejo de sair da favela e justificam o envolvimento no tráfico pelo poder de consumo adquirido, algo como dar uma vida melhor para os filhos. Dizem que com o salário de doméstica nunca vão poder ir a salões de patricinhas, no centro da cidade”, conta a pesquisadora.

Durante o trabalho, Sheila Venâncio visitou três vezes a Pedreira Prado Lopes para colher depoimentos do público feminino que atua no tráfico . A pesquisadora pretende estudar também o universo de mulheres de classe média que fazem tráfico de drogas.

“Percebi que as muitas traficantes de classe média não estão presas e as que cumprem pena não querem falar. Vendem LSD ou ectasy em universidades e boates. Estão ligadas ao tráfico internacional. Minha proposta é estudar esse público”, afirma a professora.

www.uai.com.br




1- A realidade da prostituição e das mulheres em situação de prostituição no Brasil e na região norte.

É difícil ter dados concretos sobre a prostituição no Brasil, pois se trata de uma questão muito complexa e ela não pode ser pensada isoladamente. Tem-se que levar em conta a história de vida da mulher e da sociedade, pois a prostituição é, também, fruto de uma organização social.
Quando pensamos nos motivos pelos quais muitas mulheres se inserem no comércio do sexo, devemos procurar primeiro entender as causas que facilitam a iniciação da mulher neste tipo de atividade e de início apontar alguns fatores que são estimuladores para a ocorrência de tal situação: condições sócio-econômicas de um país que gera um sistema econômico com desigualdades e injustiças sociais; uma ideologia vigente que leva muitas mulheres a procurarem por uma boa condição financeira que lhes permita maiores possibilidades de consumo e se sintam assim, recompensadas pelo esforço no trabalho, e nessa busca muitas acabam quebrando regras e executando atividades consideradas degradantes, imorais e ilegais; os meios de comunicações que promovem uma valorização exagerada do corpo e da sexualidade como um produto.
As estratégias de comercialização do “corpo” são variadas e apresentam-se de formas disfarçadas através das casas de massagem, casas de diversões, bares, boates, pequenos hotéis à beira das estradas, motéis, postos de gasolina, prostíbulos, hotéis das grandes cidades e nas ruas. Segundo a Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC) estima-se que o Brasil possui 1,5 milhões de pessoas, entre homens e mulheres que vivem em situação de prostituição (cf. dados da revista Inside Brasil, ano IV, no. 31).
A revista aponta a sociedade brasileira como um caso exemplar da ação capitalista de explorar o corpo das mulheres e o erotismo feminino para fins comerciais.
“Há uma demanda que faz lucrar R$ 500 milhões a cada ano no Brasil. A quantidade de opções para quem quer comprar o prazer tem se multiplicado prodigamente, seja via telefone, Internet, agências de “acompanhantes” ou mesmo nas tradicionais casas de massagem, prostíbulos, postos de gasolina e é claro, na rua”, (cf. informação da revista Inside Brasil, ano IV, no. 31).
Na mídia e, sobretudo hoje, na comunicação virtual, a prostituição entrou de cheio: as garotas fazem seu próprio negócio, sem necessidade de intermediários. Um dos sites mais procurados, O Milícia contabiliza 11 mil ingressos diários de internautas, (cf. informação da revista Época, de 30/10/2000).
Segundo pesquisa da Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC), 28% das mulheres estão desempregadas e 55% necessitam ganhar mais para ajudar no sustento da família, 59% são chefes de família e devem sustentar sozinhas os filhos, 45,6% tem o primeiro grau de estudos e 24,3% não concluíram o Ensino Médio. Isso apresenta um baixo nível de escolaridade, o que significa que quase 70% das mulheres prostitutas não têm uma profissionalização.
Na realidade das grandes metrópoles a prostituição é um dado alarmante, faz parte da própria paisagem da marginalização e exclusão em que vivem milhares de pessoas, migrantes e pobres. Na “boca do lixo” como são consideradas as zonas mais localizadas da prostituição em São Paulo, há três mil trabalhadoras do sexo. Há em torno de 200 dessas mulheres que se localizam na zona mais degradante da cidade que é a Estação da Luz (cf. informação da revista Isto É, de 22/10/1997, no. 1464, pág. 49).
A exploração sexual comercial de crianças é um dos aspectos ainda mais desafiador no país. Em fevereiro de 2003, foram encontradas meninas de 11 anos se prostituindo no Parque da Luz, região central de São Paulo (cf. informação do site www.criativa.globo.com).
Pais e mães de família, levados por questão de sobrevivência aliciam suas filhas a se prostituírem. Nas regiões mais pobres do Norte e Nordeste do país, como por exemplo, no Recife os programas de crianças e adolescentes são duplamente mais bem pagos que os de mulheres adultas. O preço de programa de uma adolescente, em média de 1 hora, custa R$ 60, 00, já o das mulheres adultas é de R$ 30,00. Taxistas na praia de Pajuçara, em Maceió, apresentam adolescentes de 13 a 15 anos para estrangeiros a fim de serem exportadas para o exterior (cf. informação do site www.criativa.globo.com).
Durante o 1º Seminário Internacional sobre Tráfico de Seres Humanos realizado em outubro de 2000, em Brasília, foram apresentados dados pela Fundação Helsinque de Direitos Humanos, Organização não Governamental com sede na Finlândia, que apontam o Brasil como responsável por cerca de 20% das mulheres que saem da América do Sul para trabalhar em cabarés, casa de prostituição e estabelecimento do gênero em todo o mundo. Em 2001, segundo relatório dos EUA, quatro milhões de mulheres, homens e crianças foram vítimas do tráfico humano. Em 2001, dentre seis mulheres traficadas no mundo, uma dentre elas, era brasileira (cf. informação da revista Cláudia, ano 40, no. 2, de fevereiro/2001, págs.12 a 18).
Motivadas para trabalhar em hotéis, bares, agências de modelos, casa de shows, vão ilegalmente em busca de melhores condições de vida ou mesmo por desejo de aventura. No entanto, a vida que levam é como a de verdadeiras escravas “brancas ou morenas” a serviço dos homens do primeiro mundo.
A partir do ingresso da mulher na atividade do comércio do sexo, ocorrem em sua vida significativas mudanças. Primeiro ela passa a exibir uma dualidade de comportamento, mãe/filha, esposa/ prostituta e de personagem Maria José (a mulher real) /Simone (a mulher da batalha).
Os conflitos cotidianos de representar um personagem na rua, outro no lar, e um para a sociedade, a médio e longo prazo desgasta-a física e emocionalmente, deixando-a fragilizada e presa fácil da exploração sexual e de seus vários participantes: patrão (donos de boate, cinema, bares, cafetões e cafetinas), consumidor (cliente), mercadoria (mulher) e vários prestadores de serviços (garçom, motoristas de táxi, polícia, cabeleireiros).
O ato de uma pessoa de se prostituir, segundo o código penal brasileiro, não é considerado crime, mais aliciar e manter alguém para a atividade sim.
Mas como toda atividade considerada ilícita, em que não há uma ação efetiva de combate pelo poder público, deixa–se campo aberto para a ação daqueles que enxergam uma forma de explorar economicamente essas atividades.
O comércio sexual na cidade de São Paulo é hoje uma realidade, e organizado como uma empresa qualquer, funcionando vinte e quatro horas, empregando centenas de pessoas: garçons, recepcionistas, seguranças, gerentes, contadores que oferece diversos tipos de entretenimento sexual. São cinemas com strip-tease, filmes eróticos e sala para programas aberto às 10h00min horas da manhã; cabines de "pay per view"; call girls; pensões e hotéis com mulheres dentro e nas portas, ou edifícios com até 150 mulheres disponíveis para o sexo, em que maioria paga diária para estar ali.
O poder público já tentou algumas formas de organizar essa realidade, às vezes, delimitando áreas de atividade para prostituição, registrando as mulheres na polícia e postos de saúde, e o controle sanitário das casas ou com a simples repressão, punindo geralmente as mulheres com a prisão temporária, mas geralmente a atitude mais comum é de ignorar a situação procurando intervir somente quando há protesto por parte de setores da sociedade, sempre de âmbito moral ou religioso, sempre numa visão Micro da situação (conseqüência) e não Macro (causas).
Na região norte o tema é ainda mais complexo. Recente pesquisa de Marcel Hazeu indica que há mais ou menos 76 rotas de tráfico e prostituição de mulheres na Amazônia (setembro de 2.006, observatório do FAOR).

2 - Exploração sexual comercial e tráfico de crianças e adolescentes para fins sexuais na região norte do Brasil

A região norte do Brasil é formada por sete Estados: Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Pará e Tocantins. É a maior região do Brasil, a menos desenvolvida e menos densamente povoada. Grandes áreas de florestas e rios, serras e garimpos.
Dentre os inúmeros problemas sócio-ambientais da região está a Exploração sexual comercial de crianças e adolescentes que tem características próprias, mas muito parecidas em cada um dos sete estados.
Amazonas: tem várias modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes que vai desde o turismo sexual nas rotas de rio, como exploração na zona portuária, nas festas típicas como na farra dos bois de Parintins, nas Estradas, nas ruas e no centro de Manaus, até o tráfico organizado nas rotas que vão do Amazonas para outros Estados Brasileiros como Ceará, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, assim como do Amazonas para outros países, como Colômbia, Venezuela, Guiana Francesa, Suriname e Holanda.
Pará: as modalidades de exploração sexual de crianças e adolescentes do Estado do Pará constam principalmente de exploração em garimpos, prostíbulos, área portuária, o leilão de virgens, exploração em fazendas, nas ruas e Rodovias. As principais rotas domésticas são as que saem do Pará ao Amapá, Distrito Federal, Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Pernambuco, Maranhão, Ceará e Rondônia. Rotas internacionais: do Pará para Suriname e Holanda, e do Pará para Guiana Francesa, Alemanha e Espanha.
Rondônia: também tem exploração sexual de crianças e adolescentes em grande escala, tanto na capital quanto no interior, principalmente nas áreas de fronteira e rotas de rio, ruas e estradas. O tráfico internacional é feito principalmente para Bolívia, através da fronteira, e para a Espanha. O tráfico doméstico segue para os Estados do Pará, Amazonas, Acre, Pará, São Paulo, Sul, Goiás e Tocantins.
Acre: tem exploração sexual de crianças e adolescentes em fazendas, nas cidades do interior, conhecidos casos de exploração feita por políticos e pessoas de renome na sociedade, além da exploração nas estradas, rodovias, áreas de fronteira, ruas e prostíbulos. A rota mais conhecida que sai do Acre vai para Rondônia e de Rondônia para o Acre, além da rota internacional que leva adolescentes pra Bolívia, Venezuela e Peru.
Roraima: tem intensa exploração de meninas nas áreas de fronteira tanto internacional quanto interestadual, nas estradas e rodovias, e nos prostíbulos, o tráfico se dá através das rotas que vão para o Pará, Amazonas, Acre, Mato Grosso, Rondônia, Goiás e interior do Estado. Para o exterior o tráfico segue de Roraima principalmente para a Venezuela, através da fronteira para Pacaraima, para a Guiana Francesa, Holanda e Suriname.
Amapá: a exploração sexual de crianças e adolescentes acontecem principalmente nas áreas portuárias e de garimpo, em bares e prostíbulos de Macapá, no Oiapoque e no município de Laranjal do Jari. As principais rotas de tráfico doméstico seguem de Macapá para Pará, Amazonas e Rondônia e o tráfico internacional segue para a Guiana Francesa e Venezuela.
Tocantins: a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes se dão principalmente nas rodovias, na BR 153 e nas To´s, em postos de gasolina, onde cerca de 70% do trabalho sexual é feito por adolescentes, além disso, nas áreas de praia de rio e garimpo. As principais rotas domésticas são as que saem do Tocantins para Pará, Maranhão, Goiás e Distrito Federal e as que saem do interior do Maranhão para Tocantins. O tráfico internacional de adolescentes no Estado do Tocantins esteve controlado durante vários anos, havendo casos notificados de uma rota para a Espanha na década de (segundo O Ministério Público Estadual e a PESTRAF). Atualmente se constatam as rotas que vão para Espanha, Portugal e Suíça, principalmente levando mulheres da região de Gurupi, Colinas, Araguaína e Araguatins, no Bico do Papagaio.
Formas de enfrentamento – Para enfrentar o grave problema regional da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, a Amazônia criou em 1.997, após uma pesquisa nos Estados, o então chamado, projeto Txai, que visava criar uma articulação e um plano comum de atuação de enfrentamento na região amazônica. Este projeto se tornou uma Rede, a rede amazônica de enfrentamento à violência sexual e à exploração sexual de crianças e adolescentes e durante os últimos anos desenvolveu uma intensa articulação política para conquista de políticas de enfrentamento, mobilização, assistência, prevenção, pesquisas, responsabilização e forte apoio ao protagonismo juvenil.
A Rede se transformou num grupo de trabalho, composto por pontos focais dos sete Estados que fazem um planejamento anual comum e buscam intervir através de ações políticas perante o Legislativo, o judiciário, o poder executivo e perante a sociedade civil organizada.
As principais ações do GT- Txai ao longo desses anos deram-se na busca de implantação do Plano nacional de Enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, na luta pela elaboração de planos estaduais e municipais de enfrentamento à violência sexual e exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, na criação das Delegacias Especializadas de Proteção, na luta pela criação de Varas Especializadas para julgar os crimes sexuais contra crianças e adolescentes, na avaliação do programa Sentinela, na Implantação de novos programas de referência como o PAIR, na realização da PESTRAF – Pesquisa sobre o Tráfico para fins sexuais, na formação e na criação de uma articulação de jovens e adolescentes protagonistas, chamados jovens-Txai, na proposição e discussão de direitos sexuais de crianças e adolescentes, na mobilização em torno do dia 18 de maio, dia nacional de luta e, por fim, denunciando, fiscalizando, fazendo lobbies por políticas públicas, fortalecendo a rede da sociedade civil e maior responsabilização e defesa das crianças e adolescentes da Amazônia.
Atualmente a coordenação do GT-Txai encontra-se com o CEDECA-Rondônia, em Porto Velho, com o apoio de Unicef e Terre des Hommes, e as principais Entidades que articulam esse Grupo é o Cedeca – Emaús de Belém – Pará; a agência Uga-Uga e a casa Mamãe Margarida de Manaus; o Cedeca-Rondônia, o CEDHEP – Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Rio Branco – Acre, a comunidade Shalom de Macapá, o setor Pastoral Social de Boa Vista – Roraima, a Casa Oito de Março e Pastoral da Mulher Marginalizada do Tocantins. Essas Organizações são, invariavelmente, os principais atores sociais na luta contra a exploração sexual e abuso contra crianças e adolescentes nos Sete Estados da Amazônia.
Apesar da luta de quase uma década essa articulação, que é uma das mais fortes do Brasil, não conseguiu superar o descaso das políticas públicas e fazer com que muitos planos de enfrentamento saíssem do papel, que a impunidade diminuísse e que o tráfico não avançasse.
A questão da impunidade ainda reina numa região onde a questão do machismo é muito forte e em muitos lugares o abuso e violência por parte de autoridades e parentes são vistas como coisa aceitável e tradicional, fazendo parte dos contos e lendas da cultura local.
A luta pela criação das delegacias e varas especializadas, a luta contra o aumento do tráfico internacional, a exploração em áreas de fronteira, áreas portuárias, garimpos e rodovias deve ser muito intensificada, assim como o fortalecimento do protagonismo juvenil e das Entidades e pastorais que fazem o enfrentamento na região.

3 - Prostituição de mulheres adultas na Amazônia

A prostituição de mulheres na Amazônia se inicia cada dia mais cedo. Trata-se de um trabalho feito por jovens mulheres, com baixa escolaridade, nas ruas e estradas, bares, boates, garimpos, portos, cabarés do interior e das cidades, nos postos de gasolinas das BR´S (Rodovias).
Há várias rotas de tráfico doméstico entre os Estados que compõe a região norte e, agora, muitas rotas de tráfico internacional, cada dia mais intenso. As mulheres da região norte são traficadas para a Europa (Espanha, Portugal e Suíça principalmente) e para (e pela) a América Latina, para Venezuela, Colômbia, Guiana Francesa e Guiana Inglesa, principalmente.
No Estado do Tocantins, onde a PMM tem atuação, há trabalho na cidade de Palmas, Araguaína, Colinas, Gurupi e iniciando em Araguatins. Principalmente Gurupi e Araguatins já têm rotas de tráfico internacional para Europa e Guianas.
Para o enfrentamento da prostituição na região norte, três estados tem se organizado com mais protagonismo: O estado do Pará, o Estado do Tocantins e em início, o Estado do Amazonas.
O Estado do Pará tem no MOPROM, sediado em Belém, um movimento muito atuante de promoção da cidadania das mulheres em situação de prostituição. Além disso, Entidades como o GEMPAC e a rede JEPIARA têm feito grandes esforços para a organização das mulheres para a luta por cidadania.
No Tocantins, a única equipe da PMM encontra-se em Palmas atuando conjuntamente com a Casa da Mulher Oito de Março para o enfrentamento da violência e de questões atinentes à prostituição de mulheres e à exploração sexual de meninas. Tem nos setores que atuam na área da saúde seus principais parceiros e incentivadores para a ampliação do número de equipes e grupos que atuam com mulheres em situação de prostituição.
No Amazonas, estão sendo intensificados os contatos com religiosas e organizações da sociedade civil e a busca de parcerias com grupos que já atuam nessa área com a Casa “mamãe Margarida” e a agência UGA-UGA.

IV – DESAFIOS QUE SE APRESENTAM PARA A PASTORAL HOJE

4.1. - Combate à exploração sexual de crianças e adolescentes

O primeiro Governo Federal de Luis Inácio Lula da Silva, depois do combate à fome, anunciou que a erradicação da exploração sexual de crianças e adolescentes seria uma de suas prioridades. Isso não aconteceu a contento e o desafio continua.
É certamente um trabalho urgente e desafiador no qual a Pastoral da Mulher Marginalizada poderá contribuir para ajudar a tirar o Brasil da vergonhosa posição de ter um dos maiores índices de exploração sexual comercial de crianças no mundo.

4.2. - Combate ao tráfico de adolescentes e mulheres

Uma vez que a Pastoral trabalha com as bases nos locais onde há focos de prostituição, há necessidade de dar maiores informações para as mulheres a fim de não sejam presas fáceis dos traficantes nacionais e internacionais e também poderá detectar os casos concretos de exploração procurando denunciá-los aos órgãos governamentais.

4.3. - Trabalhar as relações de gênero na sociedade

A prostituição também é uma questão de gênero dentro de um processo histórico, social e cultural que envolve mulheres e homens. Gênero entendido como uma categoria de análise interdisciplinar que nos ajuda a compreender o tecido das relações e os conflitos entre os sexos na sociedade. Expressam as relações de dominação entre homens e mulheres. Acreditamos que a prostituição é uma construção social e cultural, fruto de uma sociedade androcêntrica que relega as mulheres a pessoas de segunda categoria, como posse dos homens e, portanto, tratada como objeto de “compra e venda”.

4.4. - Trabalhar para a diminuição da pobreza dos países de Terceiro Mundo

A pobreza na América Latina tem rosto feminino. Falamos da feminização da pobreza pelo fato de que as mulheres são as que sofrem de forma mais concreta as conseqüências da pobreza. A maioria não teve oportunidade de ter uma profissionalização, um emprego fixo. São elas que, em última instância, ficam com os filhos quando se separam de seus maridos e buscam sua auto-sustentação, perfazendo normalmente duplas jornadas de trabalho. Os homens ainda dominam o mercado de trabalho e recebem salários de até 40% mais altos para desempenhar as mesmas funções que as mulheres. O trabalho doméstico, cargo ocupado pela maioria das mulheres, é pouco valorizado e reconhecido.
São muitas ainda as lutas das mulheres para erradicar a pobreza da sociedade brasileira através de políticas públicas que proporcionem condições dignas de vida e de trabalho e que não tenham mais que buscar a prostituição como forma de sobrevivência.

4.5. - Trabalhar por políticas sociais para as mulheres em situação de prostituição.

De acordo com as discussões feitas pelas próprias mulheres em seus encontros, elas construíram em novembro de 2.005 uma matriz de propostas de lutas por políticas sociais e priorizaram, por região, algumas bandeiras de lutas como: trabalho, saúde, moradia, creches noturnas e educação, previdência e cultura.



4.6. - Trabalhar no enfrentamento à drogadição e envolvimento com o narcotráfico entre mulheres em situação de prostituição e meninas sexualmente exploradas.

Já é conhecida a questão do narcotráfico e da drogadição como um fator que acompanha lado a lado a questão da prostituição e que o narcotráfico é um mercado que move milhões e milhões de dólares, a par do mercado do sexo.
As mulheres são especialmente atingidas. Geralmente são iniciadas no uso de álcool e drogas ilícitas logo quando são inseridas no mundo da prostituição e pouco a pouco são totalmente envolvidas, tanto como usuárias quanto como intermediadoras, até, se tornarem, em alguns casos, traficantes.
O uso de drogas ilícitas e álcool entre as mulheres em situação de prostituição e seus/suas filhos/as tornam as suas vidas imersas em um círculo vicioso do qual raramente conseguem sair, especialmente pela banalização de suas vidas e pela falta de políticas públicas de enfrentamento especial e diferenciado.
É comum mulheres em situação de prostituição, pelo uso e tráfico de drogas, serem utilizadas pelo narcotráfico como “mulas”, serem vítimas do tráfico internacional de mulheres, serem prisioneiras em outros países, reincidirem inúmeras vezes em prisões e penitenciárias, perderem o valor de suas vidas, a sanidade física e mental e/ou morrerem assassinadas ou vítimas de over-dose.
Essa realidade desafia imensamente a Pastoral da Mulher Marginalizada, pois valorizamos a mulher em situação de prostituição e as meninas sexualmente exploradas como seres humanos, potenciais sujeitos de direitos humanos, filhas e imagem de Deus vivo. Preocupa-nos a falta de equipamentos sociais e políticas de saúde e de direitos humanos especialmente voltados para o enfrentamento da drogadição conectada com a prostituição e queremos contribuir também nesse enfrentamento.

Síntese dos principais desafios para a região NORTE hoje

A)Fortalecer e ampliar a relação entre as equipes da PMM e sua articulação;
B)Favorecer a descentralização das ações e uma forma colegiada de organização da PMM na região;
C)Estabelecer novas parcerias e fortalecer as já existentes no enfrentamento da prostituição, da exploração sexual de crianças e adolescentes.
D)Enfrentar os principais problemas que afetam as mulheres já em situação de prostituição e as meninas sexualmente exploradas, como o uso de drogas, falta de alternativas de trabalho e de melhores condições de vida.
E) Planejar e efetivar a luta por políticas públicas sendo que a região norte tem como prioridade a luta por saúde, educação e geração de trabalho e renda para as mulheres em situação de prostituição durante os próximos dois anos.

O que influenciam as mulheres no Narcotráfico?

Consumismo e prestígio na comunidade são os principais motivos que levam mulheres a trilhar o caminho obscuro e sem glamour do tráfico de drogas. A maioria é pobre, negra, jovem, de 18 a 25 anos e vende crack em aglomerados de Belo Horizonte. Esse é o perfil de detentas, condenadas por tráfico, que cumprem pena no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, no Bairro Horto, na Região Leste da capital.
O estudo foi feito pela coordenadora do curso gestão de segurança prisional do Uni-BH, Sheila Venâncio. Das 212 presas na maior penitenciária feminina do estado, 80 se envolveram com o narcotráfico.
“Elas trabalham no tráfico de drogas não por questão de subsistência e de necessidade, mas por dinheiro para satisfazer desejos de consumo, como passear de táxi e freqüentar salões de beleza e churrascarias. Ser mulher de traficante é algo que oferece status para as mulheres que vivem nos aglomerados e muitas foram atraídas por esses sentimentos”, conta a professora Sheila Venâncio. A dissertação de mestrado “Mulheres envolvidas com o tráfico de drogas em Belo Horizonte”, foi feita de março de 2007 a fevereiro deste ano. Foram entrevistadas 30 detentas, além de pesquisas na Pedreira Prado Lopes, na Região Noroeste.
São dez mil mulheres presas por tráfico de drogas. São jovens bonitas que poderiam até ser modelos, mas que carregam drogas em seu corpo em troca de 15 mil dólares. Muitas dessas mulheres são de classe média. Foi levantada a pesquisa conjunto da Polícia federal, do Departamento de Narcótico de São Paulo e também do Ministério das Relações Exteriores. Muitas dessas mulheres aceitam fazer cirurgias no próprio corpo para esconderem as drogas em suas próprias peles, pela quantidade transportada recebem de mil à 15 mil dólares. Pelos crimes cometidos, chegam a cumprir 15 anos de prisão, e estando atráz das grades, chegam à concorrer o concurso de beleza. Essa foi a opção da carioca Bárbara Freitas, de 19 anos que foi presa por tentar partir para a Europa com mais de 50 papelotes de cocaína dentro de seu corpo. Ela chegou às finais do concurso de beleza no presídio Talavera Bruce, zona norte do Rio de Janeiro.
De cada 10 traficante presos, 8 são mulheres, atesta o diretor geral da DENARC de São Paulo, Emilio Françolin, ele diz que o concurso das internas são cada vez mais concorridas.
Nesses últimos anos, os números de mulheres como mulas vêm aumentando, o que levam elas a transportarem drogas é o dinheiro fácil, além do prestígio. Os traficantes acreditam que as jovens bonitas é fácil de persuadir a polícia durante a fiscalização e que também leva uma forte expansão no Brasil com a máfia nigeriana. O grupo atua em associação com a Colômbia, e são especialistas em recrutar belas brasileiras para transportar cocaína à Europa, e de lá voltarem com o comprimido de ecstasy.
Além de traficar, as detentas também são acusadas de roubo, ato que elas não estão dispostas a abandonar. “Percebi que elas estão mais preocupadas em se defender de outros traficantes do que da polícia. Admitem que possam deixar o tráfico de drogas, mas provavelmente vão continuar assaltando. Revelam desejo de sair da favela e justificam o envolvimento no tráfico pelo poder de consumo adquirido, algo como dar uma vida melhor para os filhos. Dizem que com o salário de doméstica nunca vão poder ir a salões de patricinhas, no centro da cidade”, conta a pesquisadora.

Durante o trabalho, Sheila Venâncio visitou três vezes a Pedreira Prado Lopes para colher depoimentos do público feminino que atua no tráfico. A pesquisadora pretende estudar também o universo de mulheres de classe média que fazem tráfico de drogas.

“Percebi que as muitas traficantes de classe média não estão presas e as que cumprem pena não querem falar. Vendem LSD ou ectasy em universidades e boates. Estão ligadas ao tráfico internacional. Minha proposta é estudar esse público”, afirma a professora.

No ano passa do entrou em vigor a Lei do Abate, na qual é permitido o governo atacar aviões suspeitos, tanto na entrada quanto na saída do país. Nesse vai e vem na rota Brasil e Europa, a polícia consegue prender muitas mulheres estrangeiras tentando desembarcar com drogas.


Vida difícil das primeiras-damas dos traficantes

Nem sempre a vida das mulheres de traficantes é um mar de rosas, pois elas submetem as regras impostas nos morros pelos maridos que traficam. Sem contar que muitas ficam com medo de que os policiais invadam suas casas, e também os riscos que elas e os familiares correm. Tem aquelas mulheres cujos maridos estão nos presídios, são controladas dia e noite, vigiadas pelos soldados do tráfico. Quando se relacionam com os traficantes, no início não sabe das vidas deles, estes, tornam gestos amistosos, mas depois que estão envolvidas e se casam, o pesadelo começa, quando falam de divórcio, são agredidas e ameaçadas de morte, ficando presas à eles. Sem contar que quando elas são presas, o abandono é total.


Bibliografia:

www.terra.com.br/istoe/capa.htm
www.uai.com
www.pmm.org.br/downloads/regiaonorte.doc
oglobo.globo.com

http://www.pmm.org.br/downloads/regiaonorte.doc

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