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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Irmã Dulce


Beata Dulce dos Pobres
Irma Dulce.jpg
Irmã e Anjo bom da Bahia
Nascimento 26 de Maio de 1914 em Salvador,  Bahia, Brasil
Morte 13 de março de 1992 (77 anos) em Salvador,  Bahia, Brasil
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 22 de maio de 2011[1], Salvador por: Bento XVI
Festa litúrgica 13 de agosto
"Miséria é falta de amor entre os homens!"
Irmã Dulce
Portal dos Santos
Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (Salvador, 26 de maio de 1914 — Salvador, 13 de março de 1992), mais conhecida como Irmã Dulce, Beata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres,[1] tendo recebido o epíteto de "o anjo bom da Bahia", foi uma religiosa católica brasileira. Irmã Dulce notabilizou-se por suas obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados. Esta na lista dos O Maior Brasileiro de Todos os Tempos sendo uma finalista na lista dos 12 candidatos ao título.

Biografia

Quando criança, Maria Rita, filha de D. Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e do Dr. Augusto Lopes Pontes, dentista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBa), costumava rezar muito e pedia sinais a Santo Antônio, pois queria saber se deveria seguir a vida religiosa ou casar. Desde os treze anos de idade, depois de visitar áreas carentes, acompanhada por uma tia, ela começou a manifestar o desejo de se dedicar à vida religiosa. Começou a ajudar mendigos, enfermos e desvalidos. Nessa mesma idade, foi recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador, por ser jovem demais, voltando a estudar.
Com o consentimento da família e o apoio de sua irmã, Dulcinha, foi transformando a casa da família num centro de atendimento a pessoas necessitadas.
Em 8 de fevereiro de 1933, logo após se formar professora primária (1932), Maria Rita entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Em 15 de agosto de 1934, após seis meses de noviciado, ela fez sua profissão de fé e votos perpétuos, tomoando o hábito de freira e recebendo o nome de Irmã Dulce, em homenagem a sua mãe. Em seguida, voltou a Salvador. Sua primeira missão como religiosa foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação, na Cidade Baixa. Também dava assistência às comunidades pobres da região onde viria a concentrar as principais atividades das Obras Sociais Irmã Dulce.
Em 1936, com apenas 22 anos, fundou, com Frei Hildebrando Kruthaup, a União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão operário da Bahia. No ano seguinte, sempre com Frei Hildebrando, criou o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ambos haviam construído através de doações.[2] Tinham como finalidade a difusão das cooperativas, a promoção cultural e social dos operários e a defesa dos seus direitos.[3]
Em maio de 1939, Irmã Dulce inaugurou o Colégio Santo Antônio, voltado para os operários e seus filhos. No mesmo ano, para abrigar doentes que recolhia nas ruas, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos. Depois de ser expulsa do lugar, teve que peregrinar durante uma década, instalando os doentes em vários lugares, até transformar em albergue o galinheiro do Convento de Santo Antônio, que mais tarde deu origem ao Hospital Santo Antônio, centro de um complexo médico, social e educacional que continua atendendo aos pobres.
Mesmo com a saúde frágil, a Irmã Dulce construiu e manteve uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país.
Em 1988, foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz, pelo então presidente do Brasil José Sarney, com o apoio da rainha Silvia da Suécia.
Em 2000 foi distinguida pelo papa João Paulo II com o título de Serva de Deus. O processo de beatificação da Irmã Dulce tramitou na Congregação das Causas dos Santos do Vaticano. [4]
Entre os diversos estabelecimentos que a Irmã Dulce fundou estão o Hospital Santo Antônio, capaz de atender setecentos pacientes e duzentos casos ambulatoriais. O atendimento médico conta com especialização geriátrica, cirúrgica, hospital infantil, centro de atendimento e tratamento de alcoolismo, clínica feminina, unidade de coleta e transfusão de sangue, laboratórios e um centro de reabilitação e prevenção de deficiências. Além do hospital, Irmã Dulce também criou o Centro Educacional Santo Antônio (CESA), instalado em Simões Filho, que abriga mais de trezentas crianças de 3 a 17 anos. No Centro, os jovens têm acesso a cursos profissionalizantes. Irmã Dulce fundou também o “Círculo Operário da Bahia”, que, além de escola de ofícios, proporcionava atividades culturais e recreativas.
Durante mais de cinquenta anos de entrega total a caridade e amor ao próximo, em 11 de novembro de 1990 Irmã Dulce começou a apresentar problemas respiratórios, sendo internada no Hospital Português da Bahia, depois transferida à UTI do Hospital Aliança e finalmente ao Hospital Santo Antônio. Em 20 de outubro de 1991, recebe no convento, em seu leito de morte, a visita do Papa João Paulo II para receber a bênção e extrema unção.[5]
O "anjo bom da Bahia" morreu em seu quarto, de causas naturais, aos setenta e sete anos, às 16:45 do dia 13 de março de 1992, ao lado de pessoas queridas por ela, como as irmãs do convento. Seu corpo foi sepultado no alto do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e depois transferido para a Capela do Hospital Santo Antônio, centro das Obras Assistenciais Irmã Dulce.

Beatificação

A 21 de janeiro de 2009, a Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano anunciou o voto favorável que reconhece Irmã Dulce como venerável[6]
A 3 de abril de 2009, o papa Bento XVI aprovou o decreto de reconhecimento de suas virtudes heroicas.
No dia 9 de junho de 2010 o corpo da Irmã Dulce foi desenterrado, exumado, velado e sepultado pela segunda vez, sendo este o último estágio do processo de beatificação.
No dia 27 de outubro de 2010, foi anunciada pelo cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, em coletiva de imprensa realizada na sede das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) a beatificação, última etapa antes da canonização, da religiosa Irmã Dulce, tornando-a a primeira beata (ou bem-aventurada) da Bahia.[7][8] O anúncio foi sucedido pelo decreto em 10 de dezembro de 2010 e aconteceu após o reconhecimento de um milagre pela intercessão da religiosa na recuperação de uma mulher sergipana, que havia sido desenganada pelos médicos após sofrer uma hemorragia durante o parto.[9]
No dia 22 de maio de 2011, Irmã Dulce foi beatificada em Salvador, e passou a ser reconhecida como Bem Aventurada Dulce dos Pobres. A Solene Eucaristia de Beatificação foi presidida pelo enviado especial do Papa Bento XVI, Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador.[1]

Bibliografia

Referências

  1. a b c Pimentel, Carolina (22 de maio de 2011). Beatificada em Salvador, freira brasileira passa a ser chamada Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. Agência Brasil. Página visitada em 23 de maio de 2011.
  2. Círculo Operário e Cine Roma
  3. Beatificazione di Suor Dulce, la “Madre Teresa brasiliana”. La Perfetta Letizia, 22 de maio de 2011.
  4. Site das Pequenas Missionárias da Eucaristia. Biografia da Irmã Dulce
  5. Especial Irmã Dulce: durante encontro com o papa João Paulo II, em Salvador, freira foi ovacionada pelos baianos. João Paulo II fez questão de ir visitar Irmã Dulce no leito de morte em 1991. Correio, 8 de maio de 2011]
  6. Ribeiro, Perla (21 de janeiro de 2009). Venerável, Irmã Dulce fica mais perto da beatificação. Correio24Horas. Página visitada em 28 de outubro de 2010.
  7. Ramos, Cleidiana (27 de outubro de 2010). Dom Geraldo Majella anuncia beatificação de Irmã Dulce. A Tarde. Página visitada em 28 de outubro de 2010.
  8. Abreu, Diego (28 de outubro de 2010). Vaticano reconhece milagre atribuído a Irmã Dulce e prepara a beatificação. Correio Braziliense. Página visitada em 28 de outubro de 2010.
  9. Folha de S.Paulo. (26 de dezembro de 2010). Missa de beatificação de Irmã Dulce será realizada em maio. Caderno Poder

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