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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Chico Xavier

Chico Xavier
Chico Xavier em 1968
Nome completo Francisco de Paula Cândido[1] (nascimento)
Nascimento 2 de abril de 1910
Pedro Leopoldo, MG
Morte 30 de junho de 2002 (92 anos)
Uberaba, MG
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Médium, um dos expoentes do espiritismo no Brasil
Francisco de Paula Cândido Xavier[1], mais conhecido como Chico Xavier (Pedro Leopoldo, 2 de abril de 1910Uberaba, 30 de junho de 2002), foi um médium[2][3] e um dos mais importantes divulgadores do espiritismo no Brasil.[4] O seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido[1], em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, foi substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que psicografou os primeiros livros, mudança oficializada em abril de 1966,[5] quando chegou da sua segunda viagem aos Estados Unidos.

 Biografia

Primeira infância

Nascido no seio de uma família humilde, era filho de João Cândido Xavier, um vendedor de bilhetes de loteria, e de Maria João de Deus, uma dona de casa católica.[carece de fontes?] Segundo biógrafos, a mediunidade de Chico teria se manifestado pela primeira vez aos quatro anos de idade,[6] quando ele respondeu ao pai sobre ciências, durante conversa com uma senhora sobre gravidez. Ele dizia ver e ouvir os espíritos e conversava com eles.

Os abusos da madrinha

A mãe faleceu quando Francisco tinha apenas cinco anos de idade. Incapaz de criá-los, o pai distribuiu os nove filhos entre a parentela. Nos dois anos seguintes, Francisco foi criado pela madrinha e antiga amiga de sua mãe, Rita de Cássia, que logo se mostrou uma pessoa cruel, vestindo-o de menina e batendo-lhe diariamente, inicialmente por qualquer pretexto e, mais tarde, sob a alegação de que o "menino tinha o diabo no corpo".
Não se contentando em açoitá-lo com uma vara de marmelo, Rita passou a cravar-lhe garfos de cozinha no ventre, não permitindo que ele os retirasse, o que ocasionou terríveis sofrimentos ao menino. Os únicos momentos de paz que tinha consistiam nos diálogos com o espírito de sua mãe, com quem se comunicava desde os cinco anos de idade [6]. O menino viu-a após uma prece, junto à sombra de uma bananeira no quintal da casa. Nesses contatos, o espírito da mãe recomendava-lhe "paciência, resignação e fé em Jesus".
A madrinha ainda criava outro filho adotivo, Moacir, que sofria de uma ferida incurável na perna. Rita decidiu seguir a simpatia de uma benzedeira, que consistia em fazer uma criança lamber a ferida durante três sextas-feiras em jejum, sendo a tarefa atribuída ao pequeno Francisco. Revoltado com a imposição, Francisco conversou novamente com o espírito da mãe, que o aconselhou a "lamber com paciência". O espírito explicou-lhe que a simpatia "não é remédio, mas poderia aplacar a ira da madrinha", esta sim passível de colocar em risco a sua vida. Os espíritos se encarregariam da cura da ferida. De fato, curada a perna de Moacir, Rita de Cássia melhorou o tratamento dado a Francisco.

A madrasta

O seu pai casou-se novamente e a nova madrasta, Cidália Batista, exigiu a reunião dos nove filhos. Francisco tinha então sete anos de idade. O casal teve ainda mais seis filhos. Por insistência da madrasta, o menino foi matriculado na escola pública. Nesse período, o espírito de Maria João parou de manifestar-se. O jovem Francisco, para ajudar nas despesas da casa, começou a trabalhar vendendo os legumes da horta da casa.
Na escola, como na igreja, as faculdades paranormais de Francisco continuaram a causar-lhe problemas. Durante uma aula do 4º ano primário, afirmou ter visto um homem, que lhe ditou as composições escolares, mas ninguém lhe deu crédito e a própria professora não se importou. Uma redação sua ganhou menção honrosa num concurso estadual de composições escolares comemorativas do centenário da Independência do Brasil, em 1922. Enfrentou o ceticismo dos colegas, que o acusaram de plágio, acusação essa que sofreu durante toda a vida. Desafiado a provar os seus dons, Francisco submeteu-se ao desafio de improvisar uma redação (com o auxílio de um espírito) sobre um grão de areia, tema escolhido ao acaso, o que realizou com êxito.
A madrasta Cidália pediu a Francisco que consultasse o espírito da falecida mãe dele sobre como evitar que uma vizinha continuasse a furtar hortaliças e esta lhe disse para torná-la responsável pelo cuidado da horta, conselho que, posto em prática, levou ao fim dos furtos. Assustado com a mediunidade do jovem, o seu pai cogitou em interná-lo.
O padre Scarzelli examinou-o e concluiu que seria um erro a internação, tratando-se apenas de "fantasias de menino". Scarzelli simplesmente aconselhou a família a restringir-lhe as leituras (tidas como motivo para as fantasias) e a colocá-lo no trabalho. Francisco, então, ingressou como operário em uma fábrica de tecidos, onde foi submetido à rigorosa disciplina do trabalho fabril, que lhe deixou sequelas para o resto da vida.
No ano de 1924, terminou o antigo curso primário e não mais voltou a estudar. Mudou de trabalho, empregando-se como caixeiro de venda, ainda em horários extensos. Apesar de católico devoto e das incontáveis penitências e contrições prescritas pelo padre confessor, não parou de ter visões e nem de conversar com espíritos.

O contato com a doutrina espírita

Em 1927, então com dezessete anos de idade, Francisco perdeu a madrasta Cidália e se viu diante da insanidade de uma irmã, que descobriu ser causada por um processo de obsessão espiritual. Por orientação de um amigo, Francisco iniciou-se no estudo do espiritismo.
No mês de maio desse mesmo ano, recebeu nova mensagem de sua mãe, na qual lhe era recomendado o estudo das obras de Allan Kardec e o cumprimento de seus deveres. Em junho, ajudou a fundar o Centro Espírita Luiz Gonzaga, em um simples barracão de madeira de propriedade de seu irmão. Em julho, por orientação dos espíritos seus mentores, iniciou-se na prática da psicografia, escrevendo dezessete páginas. Nos quatro anos subsequentes, aperfeiçoou essa capacidade embora, como relata em nota no livro Parnaso de Além-Túmulo, ela somente tenha ganho maior clareza em finais de 1931.
Desse modo, pela sua mediunidade começaram a manifestar-se diversos poetas falecidos, somente identificados a partir de 1931. Em 1928, começou a publicar as suas primeiras mensagens psicografadas nos periódicos O Jornal, do Rio de Janeiro, e Almanaque de Notícias, de Portugal.[7]

As primeiras obras

Em 1931, em Pedro Leopoldo, iniciou a psicografia da obra Parnaso de Além-Túmulo. Esse ano, que marca a "maioridade" do médium, é o ano do encontro com seu mentor espiritual Emmanuel, "...à sombra de uma árvore, na beira de uma represa..." (SOUTO MAIOR, 1995:31). O mentor informa-o sobre a sua missão de psicografar uma série de trinta livros e explica-lhe que para isso são lhe exigidas três condições: "disciplina, disciplina e disciplina".
Severo e exigente, o mentor instruiu-o a manter-se fiel a Jesus e a Kardec, mesmo na eventualidade de conflito com a sua orientação. Mais tarde, o médium conheceu que Emmanuel havia sido o senador romano Publius Lentulus, posteriormente renascido como escravo e simpatizante do cristianismo e que, em reencarnação posterior, teria sido o padre jesuíta Manuel da Nóbrega, ligado à evangelização do Brasil.
Em 1932, foi publicado o Parnaso de Além-Túmulo pela Federação Espírita Brasileira (FEB). A obra, coletânea de poesias ditadas por espíritos de poetas brasileiros e portugueses, obteve grande repercussão junto à imprensa e à opinião pública brasileira e causou espécie entre os literatos brasileiros, cujas opiniões se dividiram entre o reconhecimento e a acusação de pastiche. O impacto era aumentado ao se saber que a obra tinha sido escrita por um "modesto escriturário" de armazém do interior de Minas Gerais, que mal completara o primário. Conta-se que o espírito de sua mãe aconselhou-o a não responder aos críticos.
Os direitos autorais das suas obras são concedidos à FEB. Nesse período, inicia a sua relação com Manuel Quintão e Wantuil de Freitas. Ainda nesse período, descobriu ser portador de uma catarata ocular, problema que o acompanhou pelo resto da vida. Os espíritos seus mentores, Emmanuel e Bezerra de Menezes, orientam-no para tratar-se com os recursos da medicina humana e não contar com quaisquer privilégios dos espíritos.
Continuou com o seu emprego de escrevente-datilógrafo na Fazenda Modelo da Inspetoria Regional do Serviço de Fomento da Produção Animal, iniciado em 1935 e a exercer as suas funções no Centro Espírita Luís Gonzaga, atendendo aos necessitados com receitas, conselhos e psicografando as obras do Além. O administrador da fazenda era o engenheiro agrônomo Rômulo Joviano, também espírita, que além de conseguir o emprego para Chico, o ajudava a ter a paz necessária para os trabalhos de psicografia, além de acompanhar as sessões do Centro Luiz Gonzaga, do qual se tornaria presidente. Foi justamente no período em que psicografava nos porões da casa de Joviano que foi escrita uma de suas maiores obras, intitulada Paulo e Estevão.[8]. Paralelamente, iniciou uma longa série de recusas de presentes e distinções, que perdurará por toda a vida, como por exemplo a de Fred Figner, que lhe legou vultosa soma em testamento, repassada pelo médium à FEB.
Com a notoriedade, prosseguiram as críticas de pessoas que tentavam desacreditá-lo. Além dessas pessoas, Chico Xavier ainda dizia que inimigos espirituais buscavam atingi-lo com fluidos negativos e tentações. Souto Maior relata uma tentativa de "linchamento pelos espíritos", bem como um episódio em que jovens nuas tentam o médium em sua banheira. Observe-se que ambos os episódios contêm aspectos narrativos comuns à chamada "prova", comum em histórias de santidade.

O processo da viúva de Humberto de Campos

No decorrer da década de 1930, destacaram-se ainda a publicação dos romances atribuídos a Emmanuel e da obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, atribuída ao espírito de Humberto de Campos, onde a história do Brasil é interpretada de forma mítica e teológica. Essa última obra trouxe como consequência uma ação judicial movida pela viúva do escritor, que pleiteou por essa via direitos autorais pelas obras psicografadas, caso se confirmasse a autoria do famoso escritor maranhense.
A defesa do médium foi suportada pela FEB e resultou, posteriormente, no clássico A Psicografia Perante os Tribunais, do advogado Miguel Timponi. Em sua sentença, o juiz decidiu que os direitos autorais referiam-se à obra reconhecida em vida do autor, não havendo condição de o tribunal se pronunciar sobre a existência ou não da mediunidade. Ainda assim, para evitar possíveis futuras polêmicas, o nome do escritor falecido foi substituído pelo pseudônimo Irmão X.
Nesse período, Francisco ingressou no serviço público federal, como auxiliar de serviço no Ministério da Agricultura. Vale salientar que, em toda a sua carreira como funcionário público, não existe registro de qualquer falta ao serviço.

Nosso Lar

Em 1943, vem a público uma das obras mais populares da literatura espírita no país, o romance Nosso Lar, o mais vendido e divulgado da extensa obra do médium, que no ano de 2010 se tornou um filme. Esse é o primeiro de uma série de livros cuja autoria é atribuída ao espírito André Luiz.
Nesse período, a celebridade de Chico Xavier é crescente e cada vez mais pessoas o procuram em busca de curas e mensagens, transformando a pequena cidade de Pedro Leopoldo em um centro informal de peregrinação. Tendo morrido na miséria o seu antigo patrão, José Felizardo, o médium empenha-se em arranjar-lhe um sepultamento digno, pedindo doações de casa em casa para esse fim. De acordo com o seu biógrafo Ubiratan Machado, "...até mesmo um mendigo cego doou-lhe toda a féria do dia". (MACHADO, 1996:53).

O caso Amauri Pena

Em 1958, o médium viu-se no centro de uma nova polêmica, desta vez por conta das denúncias de um sobrinho, Amauri Pena, filho da irmã curada de obsessão. O sobrinho, ele mesmo médium psicógrafo, anunciou-se pela imprensa como falso médium, um imitador muito capaz, acusação que estendeu ao tio. Chico Xavier defendeu-se, negando ter qualquer proximidade com o sobrinho. Já com antecedentes de alcoolismo e com sérios remorsos pelos danos causados à reputação do tio, Amauri foi internado num sanatório psiquiátrico em São Paulo, onde veio a falecer.

A parceria com Waldo Vieira

No mesmo período, Chico Xavier conheceu o jovem médico e médium Waldo Vieira, em parceria com quem psicografou diversas obras em comum, até à ruptura de ambos, alguns anos depois. Em 1959, estabeleceu residência em Uberaba, onde viveu até ao fim de seus dias. Continuou a psicografar inúmeras obras, passando a abordar os temas que marcam a década de 1960, como o sexo, as drogas, a questão da juventude, a tecnologia, as viagens espaciais e outros. Uberaba, por sua vez, tornou-se centro de peregrinação informal, com caravanas a chegar diariamente, de pessoas com esperança de um contato com parentes falecidos. Nesse período, popularizam-se os livros de "mensagens": cartas ditadas a familiares por espíritos de pessoas comuns. Prosseguem também as campanhas de distribuição de alimentos e roupas para os pobres da cidade.
Em 22 de maio de 1965,[9] Chico Xavier e Waldo Vieira viajaram para Washington, Estados Unidos, a fim de divulgar o espiritismo no exterior. Com a ajuda de Salim Salomão Haddad, presidente do centro Christian Spirit Center, e sua esposa Phillis, estudaram inglês e lançaram o livro Ideal Espírita, com o nome de The World of The Spirits.

As entrevistas no programa televisivo Pinga-Fogo

No alvorecer da década de 1970, Chico participou de programas de televisão que alcançaram picos de audiência. Nessa década, além da catarata e dos problemas de pulmões, passou a sofrer de angina. Passou ainda a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

As décadas de 1980 e 1990

Em 1981, foi proposto para o Prêmio Nobel da Paz, que não ganhou. Nesse período, a sua fama ampliou-se no exterior, com diversas de suas obras sido vertidas em diversas línguas, assim como ganhou adaptações para telenovelas. Ao final da década de 1990, o médium contava com mais de quatrocentos títulos de livros psicografados. Nesse período, estimava-se em aproximadamente cinquenta milhões os livros espíritas circulando no Brasil, dos quais quinze milhões eram atribuídos a Chico Xavier e doze milhões a Kardec (SANTOS, 1997:89).
No ano de 1994, o tablóide estadunidense National Examiner publicou uma matéria em que, no título, declarava que "Fantasmas escritores fazem romancista milionário".[10] A matéria foi alardeada no Brasil com destaque pela hoje extinta revista Manchete[11], com o título de Secretário dos Fantasmas, onde se declarava que, segundo informava a National Examiner, o médium brasileiro ficou milionário, havendo ganho 20 milhões de dólares como "secretário de fantasmas".
A revista Manchete continuava: "Segundo o jornal, ele é o primeiro a admitir que os 380 livros que lançou são de 'ghost-writers', mas 'ghosts' mesmo, em sentido literal", concluindo que Chico simplesmente transcreve as obras psicografadas de mais de 500 escritores e poetas mortos e enterrados.
O médium não respondeu, mas a FEB, por seu então Presidente Juvanir Borges de Souza, editora de boa parte das obras de Chico Xavier, enviou uma carta à revista em que informava utilizar os direitos autorais e a remuneração pelas obras de Francisco Cândido Xavier para uso da caridade, o mesmo se passando com outras editoras, ressaltando que "os direitos autorais são cedidos gratuitamente, visando a tornar o livro espírita bastante acessível e a contribuir, destarte, para a difusão da Doutrina Espírita".[12]
O mesmo Presidente da FEB, em 4 de outubro daquele ano, por ocasião do I Congresso Espírita Mundial, apresentou uma "moção de reconhecimento e de agradecimento ao médium Francisco Cândido Xavier", aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, em proposta apresentada pelo Presidente da Federação Espírita do Estado de Sergipe. No documento, as entidades representativas do espiritismo no Brasil devotavam a sua gratidão e respeito ao médium "pelos intensos trabalhos por ele desenvolvidos e pela vida de exemplo, voltados ao estudo, à difusão e à prática do espiritismo, à orientação, ao atendimento e à assistência espiritual e material aos seus semelhantes".[13]

Falecimento

“'Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.'

Chico Xavier
O médium faleceu aos 92 anos de idade, em decorrência de parada cardiorrespiratória, no dia 30 de junho do ano de 2002, mesma data da morte de Chacrinha. Conforme relatos de amigos e parentes próximos, Chico teria pedido a Deus para morrer em um dia em que os brasileiros estivessem muito felizes e em que o país estivesse em festa, por isso ninguém ficaria triste com seu passamento [carece de fontes?]. O país festejava a conquista da Copa do Mundo de futebol daquele ano, no dia de seu falecimento (Chico morreu cerca de nove horas depois da partida Brasil x Alemanha).

Homenagens

Chico foi eleito o mineiro do século XX, seguido por Santos Dumont e Juscelino Kubitschek.
Recentemente, iniciou-se a construção de um centro em sua homenagem.[15]

Filme biográfico

Em 2 de abril de 2010, data em que Chico Xavier completaria 100 anos, estreou Chico Xavier - O Filme[16], baseado na biografia As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior. Dirigido e produzido pelo cineasta Daniel Filho, Chico Xavier é retratado pelos atores Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier, respectivamente, em três fases de sua vida: de 1918 a 1922, 1931 a 1959 e 1969 a 1975.

Psicografias

Alegoria que representa, segundo a ótica espírita, o médium Chico Xavier psicografando uma mensagem do espírito Emmanuel.
Chico Xavier psicografou 451 livros, sendo 39 publicados após a morte.[17] Nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Reproduzia apenas o que os espíritos lhe ditavam.[4] Por esse motivo, não aceitava o dinheiro arrecadado com a venda de seus livros.[18] Vendeu mais de cinquenta milhões de exemplares em português, com traduções em inglês, espanhol, japonês, esperanto, italiano, russo, romeno, mandarim, sueco e braile. Psicografou cerca de dez mil cartas de mortos para suas famílias.[17] Cedeu os direitos autorais para organizações espíritas e instituições de caridade desde o primeiro livro.[6][19]
Suas obras são publicadas pelo Centro Espírita União, Casa Editora O Clarim, Edicel, Federação Espírita Brasileira, Federação Espírita do Estado de São Paulo, Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Fundação Marieta Gaio, Grupo Espírita Emmanuel s/c Editora, Comunhão Espírita Cristã, Instituto de Difusão Espírita, Instituto de Divulgação Espírita André Luiz, Livraria Allan Kardec Editora, Editora Pensamento e União Espírita Mineira. Mesmo não tendo ensino completo, ele escrevia em torno de seis livros por ano, dentre eles livros de romances, contos, filosofia, ensaios, apólogos, crônicas, poesias etc. É o escritor mais lido da América Latina (nota: ano de 2010).
Seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, com 256 poemas atribuídos a poetas mortos, dentre eles os portugueses João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro e os brasileiros Olavo Bilac, Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos, foi publicado pela primeira vez em 1932.[4] O livro gerou muita polêmica nos círculos literários da época. O de maior tiragem foi Nosso Lar, publicado no ano de 1944, atualmente com mais de dois milhões de cópias vendidas [20], atribuído ao espírito André Luiz, sendo o primeiro volume da coleção de dezessete obras, todas psicografadas por Chico Xavier, algumas delas em parceria com o médico mineiro Waldo Vieira.
Uma de suas psicografias mais famosas, e que teve repercussão mundial, foi a do caso de Goiânia em que José Divino Nunes, acusado de matar o melhor amigo, Maurício Henriques, foi inocentado pelo juiz, que aceitou como prova válida (entre outras que também foram apresentadas pela defesa) um depoimento da própria vítima, já falecida, através de texto psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979, na cidade de Goiânia, Goiás. Assim, o presumido espírito de Maurício teria inocentado o amigo dizendo que tudo não teria passado de um acidente.

Acusações de fraude

Durante décadas, Chico produziu cartas psicografadas para pais e mães que o procuravam para ter notícias de seus filhos no além. Segundo um estudo da Associação Médico-Espírita de São Paulo, de 1990, nomes de parentes apareciam em 93 por cento das cartas e 35 por cento delas tinham assinaturas semelhantes às dos falecidos. Sempre havia citações que davam impressão de familiaridade aos leitores a quem eram dirigidas.
A fonte dessas informações sempre esteve sob suspeita. Alega-se que funcionários do centro espírita conversavam com os presentes antes das psicografias e que Chico entrevistava previamente as pessoas[carece de fontes?] que o procuravam em busca de contato com os espiritos dos mortos. Mesmo assim eram tidas como legítimas pelos familiares e chegaram a ser usadas como provas em três julgamentos.
Além das cartas, houve a polêmica com os muitos livros de poesia e prosa que Chico produziu em nome de espíritos de escritores famosos do Brasil como Olavo Bilac e Castro Alves. Chico só estudou até a quarta série primária, mas era leitor voraz e tinha uma biblioteca com quinhentos livros de autores diversos[carece de fontes?], inclusive em inglês, francês e hebraico. Colecionava também cadernos com recortes de textos e poesias, notadamente dos autores espirituais que o procuravam.
O verdadeiro escândalo veio quando Amauri Pena Xavier, sobrinho de Chico, disse poder imitar as psicografias dele com truques e acusou o tio de ser também um impostor. Depois, sentindo-se culpado, ele retirou a acusação.
Durante os transes mediúnicos, eletroencefalogramas do médium mostraram que ele apresentava características clínicas que variavam da epilepsia à criptomnésia [22]; clinicamente ele nunca foi epiléptico.

Principais obras psicografadas


Ano Obra Autor espiritual Editora Notas
1932 Parnaso de Além-Túmulo Vários autores
FEB
Primeira obra publicada
1937 Crônicas de Além-Túmulo Humberto de Campos
FEB
Primeira obra pelo espírito Humberto de Campos
1938 Emmanuel Emmanuel
FEB
Primeiro obra pelo espírito Emmanuel
1938 Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho Humberto de Campos
FEB
Tiragem de 202.000 exemplares
1939 A Caminho da Luz Emmanuel
FEB
Tiragem de 263.000 exemplares
1939 Há Dois Mil Anos Emmanuel
FEB
Tiragem de 435.000 exemplares
1940 Cinquenta Anos Depois Emmanuel
FEB
Tiragem de 317.000 exemplares
1941 O Consolador Emmanuel
FEB
Tiragem de 218.000 exemplares
1942 Paulo e Estevão Emmanuel
FEB
Tiragem de 420.000 exemplares
1942 Renúncia Emmanuel
FEB
Tiragem de 311.000 exemplares
1944 Nosso Lar André Luiz
FEB
"Tiragem de 420.000 exemplares"
1944 Os Mensageiros André Luiz
FEB
Livro mais vendido e traduzido para outras línguas
1945 Missionários da Luz André Luiz
FEB
Tiragem de 440.000 exemplares
1945 Lázaro Redivivo Irmão X
FEB
Primeira obra pelo espírito Irmão X, pseudônimo do espírito Humberto de Campos
1946 Obreiros da Vida Eterna André Luiz
FEB
Tiragem de 290.000 exemplares
1947 Volta Bocage Bocage
FEB
Livro psicografado com autoria atribuída ao poeta português, Bocage
1948 No Mundo Maior André Luiz
FEB
Tiragem de 280.000 exemplares
1948 Agenda Cristã André Luiz
FEB
Tiragem de 470.000 exemplares
1949 Voltei Irmão Jacob
FEB
Tiragem de 204.000 exemplares
1949 Caminho, Verdade e Vida Emmanuel
FEB
Tiragem de 216.000 exemplares
1949 Libertação André Luiz
FEB
Tiragem de 275.000 exemplares
1950 Jesus no Lar Neio Lúcio
FEB
Tiragem de 290.000 exemplares
1950 Pão Nosso Emmanuel
FEB
Tiragem de 262.000 exemplares
1952 Vinha de Luz Emmanuel
FEB
Tiragem de 215.000 exemplares
1952 Roteiro Emmanuel
FEB

1953 Ave, Cristo! Emmanuel
FEB
Tiragem de 210.000 exemplares
1954 Entre a Terra e o Céu André Luiz
FEB
Tiragem de 260.000 exemplares
1955 Nos Domínios da Mediunidade André Luiz
FEB
Tiragem de 313.000 exemplares
1956 Fonte Viva Emmanuel
FEB
Tiragem de 248.000 exemplares
1957 Ação e Reação André Luiz
FEB
Tiragem de 255.000 exemplares
1958 Pensamento e Vida Emmanuel
FEB

1959 Evolução em Dois Mundos André Luiz
FEB
"Tiragem de 216.000 exemplares"
1960 Mecanismos da Mediunidade André Luiz
FEB
Primeira obra em parceria com o médium Waldo Vieira
1960 Religião dos Espíritos Emmanuel
FEB

1961 O Espírito da Verdade diversos espíritos
FEB

1963 Sexo e Destino André Luiz
FEB
Tiragem de 262.000 exemplares
1968 E a Vida Continua… André Luiz
FEB
Tiragem de 314.000 exemplares
1970 Vida e Sexo Emmanuel
FEB
Tiragem de 240.000 exemplares
1971 Sinal Verde André Luiz
Comunhão Espírita
Cristã (CEC)
Tiragem de 473.500 exemplares
1977 Companheiro Emmanuel
Instituto de Difusão
Espírita (IDE)
Tiragem de 223.000 exemplares
1985 Retratos da Vida Cornélio Pires
IDE/CEC

1986 Mediunidade e Sintonia Emmanuel
CEU

1991 Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios Bezerra de Menezes
GER

1999 Escada de Luz diversos espíritos
CEU
Última obra publicada

Referências

  1. a b c Marcel Souto Maior. As Vidas de Chico Xavier. Editora PLaneta. 2003. p.144 ISBN 978-85-7479-574-4
  2. Alexandre Caroli Rocha. A poesia transcendente de Parnaso de alem-tumulo. Visitado em em 10/2/2008.
  3. Hernani Guimarães Andrade. Prefácio Livro: A psicografia à Luz da grafoscopia
  4. a b c d Veja a biografia de Chico Xavier . Folha Online - Acesso a 13 de Julho de 2007
  5. As Vidas de Chico Xavier (pgs. 176 e 179)
  6. a b c Federação Espírita Brasileira (FEB). Texto "Francisco Cândido Xavier - Traços Biográficos". Páginas 01 e 05 em PDF
  7. Martha Mendonça. Chico Xavier e a alma do Brasil. Revista Época, 1 de março de 2010, p. 86.
  8. SOUTO MAIOR, Marcelo. As Vidas de Chico Xavier. 2ª ed. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003; pág. 65.
  9. As Vidas de Chico Xavier pag.176
  10. Uma livre tradução de: Ghostwriters made novelist a millionaire - onde se nota um trocadilho com o termo, já que "escritor fantasma" - ghostwriter refere-se à pessoa que escreve obra assinada por outrem
  11. Manchete, nº 2234, 28 de janeiro de 1994.
  12. a b Souza, Juvanir Borges de, FEB, Carta do Presidente da FEB a revista Manchete, revista Reformador, ano 113, nº 1993, 109/17, Rio de Janeiro: abril de 1995
  13. Souza, Juvanir Borges de, FEB, Moção de reconhecimento e de agradecimento ao médium Francisco Cândido Xavier, Revista Reformador, ano 113, nº 2001, 362/14, Rio de Janeiro: dezembro de 1995
  14. Chico Xavier morre em Uberaba aos 92 anos, Folha Online, Acesso a 13 de Julho de 2007
  15. [1]"Um café da manhã reuniu, ontem, os parceiros do Instituto Chico Xavier" JORNAL DE UBERABA 01/07/2008
  16. Site oficial de Chico Xavier - O Filme
  17. a b Martha Mendonça, Chico Xavier e a Alma do Brasil, Revista Época, 01.03.2010, p.92.
  18. Jornal "O Ideal", janeiro de 2000
  19. Revista Época. Artigo "Chico Xavier Superstar". Visto em 14 de julho de 2007
  20. Martha Mendonça, Chico Xavier e a Alma do Brasil, Revista Época, 01.03.2010, p.88
  21. Revista ISTOÉ, em artigo sobre os brasileiros do século na categoria religião. Visto em 14 de julho de 2007.
  22. Uma investigação: Chico Xavier. Super, página acessada em 4 de novembro de 2011.
  23. Isto é - Do outro lado da vida, página acessada em 22 de janeiro de 2012.

Bibliografia

  • BARBOSA, Elias. No mundo de Chico Xavier. Araras: Instituto de Difusão Espírita, 1992.
  • GAMA, Ramiro Lindos casos de Chico Xavier. São Paulo: Lake, 1995.
  • GOMES, Saulo (org.). Pinga-fogo com Chico Xavier. Catanduva (SP): InterVidas, 2009. 256p. fotos. ISBN 978-85-60960-00-2
  • LEWGOY, Bernardo. O Grande Mediador. Chico Xavier e a cultura brasileira. Bauru (SP): EDUSC, 2004.
  • MACHADO, Ubiratan. Chico Xavier, uma vida de amor. Araras: Instituto de Difusão Espírita, 1997.
  • RAMOS, Clóvis. Cinqüenta anos de Parnaso. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1982.
  • RANIERI, R. A.. Chico Xavier, um santo para nossos dias. Rio de Janeiro: Eco, s.d..
  • SCHÜBERT, Suely Caldas. Testemunhos de Chico Xavier. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 1986.
  • SOUTO MAIOR, Marcel. As Vidas de Chico Xavier. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.
  • TIMPONI, Miguel. A Psicografia Ante os Tribunais. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 1984.
  • WORM, Fernando. A ponte, diálogos com Chico Xavier. São Paulo: Lake, 1993.

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